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“Não aguento mais esses mineiros” fala de Eduardo Cunha sobre o estado

Mais um sem mandato com verbas
Mais um sem mandato com verbas

O Ministro Flávio Dino, do STF - Supremo Tribunal Federal, utilizou mensagens interceptadas pela PF - Polícia Federal para embasar, em 6 de julho, o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha e a suspensão de 29 emendas parlamentares.

Nos diálogos, Cunha, cassado em 2016, ex-presidente da Câmara Federal e pré-candidato a deputado federal este ano por Minas Gerais, pelo REPUBLICANOS, reclama de “mineiros enrolados”, em 2022, foi candidato a Deputado por São Paulo, sem sucesso; enquanto remaneja destinos de emendas para municípios do estado, operando por meio de uma servidora da Câmara sem qualquer mandato.

A decisão de Dino foi embasada em conversas extraídas do celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, servidora da Câmara apontada pela PF como operadora do esquema.

Em um dos trechos reproduzidos na investigação, Cunha pede a ela que substitua o município beneficiado por uma emenda: “Boa tarde, desculpa, mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar”.

O padrão se repete em outras passagens, em setembro de 2025, diante de um conflito local sobre a autoria de uma emenda destinada a Manhuaçu, Cunha ordenou a substituição do município, indicando o Fundo Municipal de Saúde de Governador Valadares e a Associação Hospital Belizário Miranda como novos destinatários. Sobre a disputa local, resumiu: “Cidade pequena é uma guerra”, os diálogos mostram um ex-parlamentar sem mandato tratando recursos públicos como moeda de barganha, trocando destinos conforme a conveniência política do momento.

A investigação é um desdobramento da “Operação Transparência”, que apura desvios na distribuição de emendas do chamado “orçamento secreto”.

A PF aponta que Cunha, sem mandato desde a cassação em 2016, indicava irregularmente emendas destinadas a municípios mineiros valendo-se de Tuca para operacionalizar o direcionamento dos recursos.

O elemento mais revelador, segundo a PF na representação que embasou a decisão de Dino, é justamente a ausência de qualquer vínculo histórico entre Cunha e o estado: “Mais simbólico ainda no sentido do descontrole político e desvinculação ao interesse público dessas destinações é o fato de que o ex-deputado nunca manteve vinculação política com o Estado de Minas”.

Nascido no Rio de Janeiro, Cunha exerceu 4 mandatos como deputado pelo estado fluminense e transferiu o domicílio eleitoral para Belo Horizonte apenas recentemente, de olho nas eleições de outubro.

É visível que essa prática de pessoas sem mandato, mas, que conhecem os meandros do jogo político, usam para se beneficiar de vantagens, como por exemplo, apoio político para se elegerem ou reelegerem.


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