Meio ambiente está mudando
- JoCA NEWS

- 26 de set. de 2025
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COP30 e o clima no mundo
Inundações no sul da Ásia, incêndios florestais na América do Norte, ondas de calor recordes na Europa e outros lugares, chuvas torrenciais e ventanias, reforçaram os alertas que cientistas vêm fazendo há anos: as mudanças climáticas estão avançando mais rápido do que as respostas políticas.
Nesse contexto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou uma cúpula climática durante a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral, instando os países a elevarem suas metas antes da 30ª Conferência da ONU sobre Mudança Climática, a COP30 (Conferência das Partes - “Conference of the Parties"), marcada para novembro em Belém/PA, no Brasil.
Brasil pede que mais países anunciem compromissos climáticos
O presidente da COP30, André Correa do Lago, revelou as expectativas do Brasil com a Cúpula do Clima, “Os países vão assumir amanhã (dia 24) o compromisso de como eles vão reduzir suas emissões até 2035 e nós vamos debater tudo isso em Belém”.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, também deu uma declaração destacando preocupação com a lentidão dos países em apresentar novas Contribuições Nacionalmente Determinadas, as NDCs, que são os planos para lidar com a crise do clima, “Esse é um momento importante porque há uma grande expectativa em torno das NDCs que devem ser apresentadas até o final de setembro. E é fundamental que elas estejam alinhadas com 1,5°C, porque se não tivermos esse alinhamento, nós só vamos aprofundar a emergência climática que já está acontecendo no mundo”.
A ministra alertou que apenas 37 países apresentaram NDCs e lembrou que o sucesso da COP30 depende de um conjunto maior de planos nacionais capaz de limitar o aumento da temperatura global.
“Ação ousada para a próxima década”
O encontro, que aconteceu nesta quarta-feira dia 24, na sede da ONU em Nova Iorque, foi concebido como um momento chave para a COP30.
Será um evento de alto nível, no qual chefes de Estado, líderes de governo, empresas e sociedade civil deverão apresentar compromissos concretos e novos planos climáticos nacionais.
De acordo com os organizadores, a cúpula tem um mandato claro:
“Garantir ações ousadas para a próxima década”.
Para Guterres, os compromissos atuais estão muito aquém do necessário, pois apenas uma fração dos Estados-membros apresentou NDCs atualizadas para 2.025.
De acordo com os organizadores, a Cúpula do Clima funcionará tanto como um ponto de pressão quanto uma oportunidade. Espera-se que líderes não apenas reiterem compromissos, mas também anunciem novas NDCs, mostrando como serão implementadas. A transição para a energia limpa também será um elemento central nos debates.
Por que agora?
A urgência da cúpula é reforçada por fatores científicos e políticos. A OMM - Organização Meteorológica Mundial, informou que 2.024 foi o ano mais quente já registrado. As temperaturas médias globais chegaram a 1,6 °C acima dos níveis pré-industriais, além disso, o cenário político internacional tornou-se mais fragmentado.
Os Estados Unidos, que se retiraram do Acordo de Paris no início de 2.025, continuam entre os maiores emissores de gases do efeito estufa, confirmado pelo próprio Donald Trump esta semana em discurso na ONU.
Por outro lado, existem sinais de avanço. Os investimentos em energia limpa ultrapassaram US$ 2 trilhões em 2.024, superando pela primeira vez os combustíveis fósseis.
Iniciativas como o proposto Tratado de Não-Proliferação de Combustíveis Fósseis também ganham força. A cúpula servirá como teste para verificar se essas tendências positivas podem ser ampliadas.
Entrelinhas e florestas
A Cúpula do Clima não é uma sessão de negociações, mas seus resultados definirão o tom da COP30 em Belém/PA. O Brasil prometeu centrar a conferência em justiça climática, proteção das florestas e energias renováveis. No entanto, o êxito em Belém dependerá em grande parte do que acontecer em Nova Iorque esta semana.
A ONU destaca 3 pontos de atenção:
Primeiro, a apresentação, por grandes emissores, de planos que reduzam de fato os gases que estão contribuindo com o aquecimento do planeta.
Em segundo lugar, se o financiamento climático será ampliado para além de promessas simbólicas, sobretudo para o Fundo de Perdas e Danos, que recebeu até agora pouco menos de US$ 789 milhões em promessas.
E, por fim se haverá um reconhecimento de que expandir a exploração de carvão, petróleo e gás é incompatível com as metas do Acordo de Paris.
Sem avanços nessas frentes, a COP30 corre o risco de não alcançar seus objetivos.
Diretora-executiva da COP30, Ana Toni, e o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, durante coletiva de imprensa
Foto da ONU







